Eleitor compra briga nas redes sociais

Nas últimas duas semanas (e tenho certeza de que será ainda mais intenso até o final desta semana, com o Dia D da eleição presidencial no domingo dia 26), o tiroteio eleitoral nos diferentes meios de comunicação tornou-se uma interessante oportunidade para entender o comportamento das pessoas, especialmente nas redes sociais.00zc3a9ro-briga3

Como as mídias sociais permitem geração de conteúdo por qualquer usuário, tornou-se tarefa árdua separar o que é verdade do que é boato, informação manipulada, “recortes” sem considerar o contexto todo e por aí vai. Sem contar a enxurrada de trolls (mentiras disseminadas para causar polêmica). Em alguns casos, parece até briga de rua, com direito a puxões de cabelo e xingamentos, com a turma do deixa-disso tentando amenizar o clima belicoso que tomou conta do Facebook e do Twitter, colocando amizades na corda bamba apenas por discordâncias políticas. E muita gente simplesmente deletou amigos de sua rede de contatos.

O mais curioso é acompanhar nas redes sociais as reações aos debates na TV. Já é um fato que 34% dos brasileiros navegam em uma segunda tela (principalmente smartphone) enquanto assistem TV, segundo pesquisa recente da consultoria americana Millward Brown. Assim, não é de se admirar os comentários cruzados (Twitter e Facebook, em especial) sobre os debates.

Vamos a algumas percepções:

1) Durante e logo após os debates na semana passada e nesta, acompanhei as reações no Facebook. O curioso foi ver que quem é a favor de um ou de outro candidato usou os MESMOS argumentos para denegrir o opositor: olha a cara de nervosismo dele/dela, olha as mentiras que ele/ela está dizendo, olha como ele/ela gagueja, olha os absurdos que aconteceram no governo dele/dela, vejam que ele/ela é o mais preparado, ele/ela está acabando com o oponente no debate etc etc. A MESMA conversa, de ambos os lados… Ou seja, as armas são as mesmas, independente de quem as empunha.

2) A virulência das acusações nos palanques eleitorais contaminou os correligionários do PT e do PSDB nas redes sociais. Embora tenha muitas verdades sendo ditas (o que é ótimo), a quantidade de informações manipuladas circulando é imensa e pouca gente para para checar sua veracidade. Esse mau hábito – replicar inverdades sem conferir – polui a internet e dificulta separar o que é bom e verdadeiro do que é inventado ou, no mínimo, pinçado de um contexto muito mais amplo a fim de levar a uma interpretação limitada.

3) Os veículos de comunicação têm sido muitas vezes canais de desinformação, expondo fatos e cenários como lhes convém – daí a importância de não se acreditar em tudo o que se lê ou ouve sem conferir com outras fontes. E dá-lhe replicar nas redes sociais, aumentando o ruído.

Do lado dos candidatos, pouco se vê como tentativa de diálogo ou engajamento – as redes sociais funcionam mais como “santinhos digitais” e têm sido utilizadas para despejar informação (verdadeira ou não) em cima dos internautas. Estes sim curtem ou comentam posts no Facebook, por exemplo, mas pouco se vê em termos de respostas construtivas por parte das assessorias dos candidatos, apesar dos discursos de “incentivo ao debate democrático” e “construção de projetos para o país”.

Os marqueteiros definem até a estratégia do discurso: enquanto as contas de Aécio Neves no Facebook e no Twitter referem-se a ele em terceira pessoa (para bom entendedor, meia palavra basta – são os assessores que pilotam, é claro), as contas de Dilma Rousseff utilizam a primeira pessoa, como se a própria candidata/presidente escrevesse (o que não é verdade, mas a ideia por trás é provocar um senso de intimidade com seus seguidores/fãs). Até mesmo durante os debates na TV, quando os candidatos estavam obviamente ocupados, os tuítes de Dilma eram escritos em primeira pessoa.

Esses são apenas alguns exemplos. Nossa visão crítica e nossa capacidade de discernimento são colocadas à prova o tempo todo, e para que possamos fazer um melhor julgamento dos defeitos e qualidades de cada candidato, há que se consultar várias fontes, fazer comparações, compreender os interesses ocultos por trás de um simples texto e pesar dados e fatos. Mesmo os números podem ser interpretados de diferentes maneiras, dependendo do recorte que se faça. Fique de olho para não cair em armadilhas e artimanhas – seu voto consciente é a arma mais importante para colocar no poder quem de fato merece estar lá.

 

 

 

 

 

 

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